Minas Gerais

Leilão da PPP da Educação de MG é vencido por grupo que administra hospital de BH

04/05/2026 otempo.com.br 18 visualizações
Conteúdo baseado em matéria publicada por otempo.com.br
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O leilão da Parceria Público-Privada (PPP) da Educação do Governo de Minas Gerais, realizado em 30 de março de 2026 na B3, foi vencido pelo fundo IG4 BTG Pactual Health Infra, responsável pelo Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro, em Belo Horizonte. O contrato, de 25 anos, abrange 95 escolas estaduais em 34 municípios, incluindo 21 unidades na capital mineira.
O leilão que definiu a empresa responsável pela Parceria Público-Privada (PPP) da Educação em Minas Gerais ocorreu na manhã de segunda-feira, 30 de março de 2026, na B3, a bolsa de valores brasileira, e terminou com a vitória do fundo IG4 BTG Pactual Health Infra. O fundo, ligado ao banco BTG Pactual, apresentou uma proposta de contraprestação mensal de R$ 22,3 milhões — valor inferior ao previsto inicialmente pelo governo estadual —, e assumirá, por meio da criação da empresa Opy Educação, a gestão de serviços não pedagógicos em 95 escolas estaduais pelos próximos 25 anos. O contrato prevê investimentos totais superiores a R$ 4,5 bilhões, sendo R$ 1,03 bilhão destinado a obras de modernização das unidades e R$ 3,5 bilhões para a operação e prestação dos serviços ao longo do período de concessão. Há ainda a possibilidade de construção de três novas escolas. As 95 unidades escolares incluídas na PPP estão distribuídas em 34 municípios mineiros. Das escolas contempladas, 21 ficam na capital Belo Horizonte e 40 na Região Metropolitana, totalizando 61 unidades na RMBH. As demais 34 escolas estão na região Norte do estado. Entre as escolas localizadas em Belo Horizonte constam a Escola Estadual Maurício Murgel, no bairro Nova Suíça, e a EE Desembargador Rodrigues Campos, no Barreiro, conforme o edital de Parceria Público-Privada 001/2026. A empresa vencedora, Opy Health — controlada pela IG4 Capital —, já atua em Belo Horizonte na gestão do Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro, no Barreiro. A gestão pedagógica das escolas, incluindo corpo docente, currículo e materiais, permanecerá sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Educação (SEE/MG). Conforme o governo de Minas Gerais, a empresa vencedora ficará responsável por serviços como manutenção predial, fornecimento de utilidades (água, energia, gás e esgoto), limpeza, jardinagem, tecnologia da informação, vigilância 24 horas e controle de acesso. O leilão gerou forte reação da oposição e de trabalhadores da educação. O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE) organizou paralisações e ocupações de sedes regionais da Secretaria de Educação em Belo Horizonte e Montes Claros nos dias que antecederam o certame. A categoria denunciou o risco de demissão ou precarização do trabalho de milhares de Auxiliares de Serviços Básicos (ASBs) e criticou a falta de diálogo sobre a gestão das unidades. Ainda antes do leilão, em 23 de março de 2026, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) abriu processo para analisar denúncia contra a licitação da PPP. Entre os riscos apontados na denúncia estavam eventuais falhas na proteção de dados de crianças e adolescentes, em desacordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Após a realização do leilão, a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), apresentou denúncia ao TCE-MG alegando que o governo estadual havia investido recursos milionários em escolas que, posteriormente, foram incluídas no processo de concessão. Segundo dados apresentados pela parlamentar, apenas nas primeiras quatro unidades visitadas pela Comissão foram gastos cerca de R$ 11,1 milhões em investimentos públicos antes do processo de privatização da infraestrutura. O governo estadual não se manifestou sobre os números até o fechamento da matéria.
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